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O ANO QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS
 
 
 
Meu Nome não é Johnny
"O Cinema cria imediatamente uma direção para a vista, que é um sentido eminentemente abstracionista, e uma fantasia para a imaginação".
Vinícius de Moraes
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Curta Lençóis Homenageia Lucélia e ZÉU BRITTO assume patrimônio dos Lençóis


     Terminou com generoso jantar à beira do rio Preguiças a primeira edição do CURTA LENÇÓIS - I Festival de Cinema e Vídeo dos Lençóis Maranhenses, 11 a 14 no município de Barreirinhas. A 'celebridade' homenageada foi Lucélia Santos, atriz de categoria internacional e cidadã sempre engajada em causas sociais, que não se furtou a dar muitos autógrafos e fazer muitas fotos com fãs de todas as idades. Lucélia recebeu na noite de sábado, encerramente do Curta Lençóis, o belo troféu crido pelo artista Eduardo Sereno - uma mão ao lado de um rolo de filme a lembrar também o aguerrido sol de Barreirinhas...

     Já no GUARNICÊ (o festival de Cinema mais concorrido do Norte & Nordeste, que começou dia seguinte ao encerramento do CURTA LENÇÓIS), tudo era motivo de encantamento aos olhos e ao coração .

     Realizado de 15 a 21 de junho, a grande perguntinha nos corredores do festival nas proximidades do fim, era: 'Qual o defeito do Guarnicê ?' Ao sonoro SIM e a quase unanimidade em não encontrar defeitos no mega-festival comandado pelo super querido Euclides Moreira Neto - cheio de energia e paciência para descascar os inevitáveis 'abacaxis' de toda grande produção, sobretudo de caráter nacional -, surgiu-me cristalina como um raio em noite de lua minguante, a primeira resposta: o festival é tão bom que devia ser maior !!! ... Claro, pra ser maior, haja patrocínio, o que não é nada fácil pra quem navega na área cultural, sabemos todos. Mas é por aí: se houvesse condições, Euclides-UFMA bancariam uns 10 adoráveis dias na inesquecível São Luís, e nós, convidados, agraderíamos tão penhorados que talvez nem o Penhor da Caixa tivesse espaço pra caber tanta gente ... E quem esteve por lá abrilhando a programação foram as atrizes Leona Cavalli, Fafi Siqueira e Teca Pereira, além do megaartista e super querido Zéu Britto. Saiba mais no Blog da Boreal: http://auroraleao.zip.net
 
Mestre ARTUR e uma Saudade Infinda...

     Caía a noite quando soube da partida dele. Calé me contou história tão singela e tocante sobre um gafanhoto grande, exótico, diferente, visto naquela sexta, 9 de maio... e o tempo agora me faz perceber com nitidez. Como se meu amigo querido, meu Guru, tivesse vindo contar a história pra ele de mansinho, como se no dorso do vento, Mestre Artur tivesse soletrado pro músico que conheceu comigo (e de quem admirava a produção de obras como os discos em homenagem a Lauro Maia e Patativa), os sinais de sua passagem, pedindo a ele pra me contar com jeitinho e mansidão... e assim foi. Embora saber sem um adeus final seja matéria de muita tristeza, dor funda n'alma... ah, se pudéssemos recuperar o tempo perdido, as muitas vezes em que a violência me afastou da capital carioca, por quem meu coração e o do Mestre sempre bateram mais forte e mais bonito... Ah, Mestre Artur, que beleza passear pelas ruas ipanemenhas lembrandouvindo suas poesias em forma de crônica, reparar nas amendoeiras e prestar atenção na brisa e nas conversas pelas bancas de jornal do bairro onde proliferou a Bossa Nova, a quem você dedicou livro antológico e tão raro... Nesta hora, Mestre, afloram evidentes as afinidades e serpenteia feroz a saudade nos escaninhos da memória afetiva... Ainda guardo o trevo de 4 folhas com o qual você me presenteou em dia de entrevista no apê do Leme, os desenhos do Augusto Rodrigues, os autógrafos plenos de ternura e o jantar inesquecível (ao lado de Miriam e de meus pais) na bela casa de Dona Magdalena em São Conrado...

     Há pouco mais de um mês, desde o início de Abril, vinha pensando no Mestre com mais ênfase. Bateu forte a certeza: precisava ir ao Rio tocar o projeto de fazer um curta-metragem para homenageá-lo. Comecei a planejar minha ida e a focar nos pontos principais: por certo, iria à rádio Roquette Pinto, uma de suas paixões, e lá minha mini-DV registraria conversa recheada de equilíbrio, sensibilidade, ideais de justiça e convivência, afetos e uma delicadeza e simplicidade próprias aos grandes Mestres.

     Também havia sugerido a Henilton Menezes, amigo de sensibilidade e visão ampla na coordenação das ações do Centro Cultural Banco do Nordeste, realizar um dos programas do CCBN - o Papo XXI - com o Mestre. Henilton topou na hora e fiquei certa de, muito em breve, ter Artur da Távola aqui em Fortaleza para uma conversa que renderia ótimos frutos, sem dúvida.

     Escrevi uma mensagem ao Mestre e estranhei a demora de uma resposta. Logo ele, fiel nos afetos e sempre a me atender com brevidade, dedicação e muito carinho...

     ARTUR DA TÁVOLA é agora uma LUZ que brilha ainda mais forte em meu caminho e, tenho certeza, nos comunicamos antes de sua partida pro andar mais alto onde o Mistério se faz Vida e a Transcendência torna translúcidos e mais evidentes os Sábios, de quem tanto carecemos nós, seus fãs, mas também aqueles muitos aos quais a pressa (?) do dia-a-dia relega sempre ao depois (quando ?) um olhar de gratidão, estima, RECONHECIMENTO.

     Mestre ARTUR, a quem devo minha entrada definitiva e minha permanência no Jornalismo, é amizade espraiada em minha vida desde a adolescência. Com ele, aprendi mais ainda de Sensibilidade, timidez, juventude, respeito ao próximo, solidão, felicidade, amor, dignidade, Ipanema, carioquices e tantas outras matérias cotidianas. Como ele, eu também sempre tive muito medo de viajar de avião. Pois foi ele quem me 'ensinou' a perder este medo. Íamos, meu amado Calé e eu, rumo à minha adorável Buenos Aires, quando encontramos com o Mestre - de partida ao Japão em visita ao filho Leonardo (que ali residiu muitos anos). E perguntei então como ele ia 'dominar' o medo de voar. Ao que ele, sereno e sábio, como sempre, me explicou: 'É fácil, Aurora. Misturo metade deste remédio com este, e viajo tranqüilo'.

     E assim, ARTUR DA TÁVOLA é alguém que esteve/está/estará para sempre em minha vida. Há sempre uma frase, um momento, uma música ou um pensamento a lembrar dele, em qualquer ocasião.

     Com a partida de Artur da Távola, estamos mais pobres. Perdemos. Não apenas um intelectual do mais alto gabarito. O Brasil está órfão de um de seus mais brilhantes intelectuais. Perdemos um Homem sensível, inteligência brilhante, um carioca apaixonado por todas as formas de ser e Pensar... a vida, o humano, a civilidade. Eu, particularmente, perdi um Amigo querido, um Mestre com quem aprendi a ver todas as coisas da vida pelo viés da sensibilidade.

     Leia a íntegra desta crônica em OBJETIVA...

 

Rubens Ewald comenta Indiana Jones...

     O crítico de cinema mais conhecido e mais respeitado do país, Rubens Ewald Filho, comenta a nova saga de Indiana Jones:

"... se você pretende ver o novo (e quarto) “Indiana Jones”, já vou informando que o filme é ótimo, divertido, movimentado, cheio de ação, auto-referente (lembra todos os anteriores e abre caminho para futuras continuações), e toma todas as decisões corretas.
Embarquei de cabeça e me diverti completamente, como os autores pretendiam, como se estivesse numa matiné dos meus tempos de criança (a diferença era o saco de pipoca, que naquele tempo era proibido!)".

Confira o comentário completo em MOVIOLA...

CALÉ ALENCAR ANTECEDE HOMENAGENS À MANDELA

     Jornais do mundo inteiro noticiaram final de junho o início das comemorações pelos 90 do grande líder negro Nélson Mandela, timoneiro de salutares avanços na África.
De pronto, veio-me à memória a emblemática canção do cantor/compositor cearense Calé Alencar - Canto para Mandela, marcante não só por registrar a árdua luta de Mandela mas sobretudo pelos lindosfortes versos de Francisco Carvalho - grande expressão da poética cearense - extraordinariamente musicados por Calé numa das mais belas criações melódicas do cancioneiro nacional.

     Assim, Calé é qual uma Aurora, cujo esplendor antecede o Sol, e seu agudo senso social/estético/artístico vislumbrou no poema de Francisco Carvalho - de nome original Canção do Emparedado - um Hino de Amor à Justiça Social, à Liberdade de Expressão, à Fraternidade entre os povos de todas as cores, em todo Planeta.

     O poeta Carvalho, quando soube da gravação de Calé, era só alegria e aprovou de pronto o nome dado à composição - Canto para Mandela - admitindo ser o título de Calé muito melhor que o do poema.

     Canto para Mandela integra o primeiro LP de Calé - Um Pé em Cada Porto -, lançado em 1990, cujas músicas foram anos depois registradas no CD duplo - Estação do Trem Imaginário, cuja produção tenho a honra e a alegria de ter acompanhado de perto. Porque Calé é desde sempre um dos mais talentosos e profícuos artistas do Nordeste, sendo enorme prazer contribuir com seus registros sonoros e também lítero-poéticos-ritmicos-fotográficos pois caminhando ao lado de quem tão bem traduz/compõe beleza & poesia enriqueço-me sensorialmente e depuro cotidianamente meu bom gosto e senso estético.

    Viva Nélson Mandela! Salve Francisco Carvalho!
     Vida longa para Calé Alencar e aplausos calorosos para sua sensível e multifária atividade artística!

     Saiba também sobre CALÉ e a Banda Cabaçal dos Irmãos Aniceto clicando aqui.

LG faz Novos Comentários

     Nosso comentarista oficial, a maior autoridade em Crítica Cinematográfica do Norte e Nordeste, Prof. LG de Miranda Leão comenta o filme Lady Chatterley, em cartaz em algumas salas do país:

"... sexto filme de Pascale Ferran e terceira transposição da obra de David Herbert Lawrence para o ecrã é inferior à segunda de Just Jaeckin, com roteiro deste e de Christopher Wicking, intitulada O Amante de Lady Chatterley, e tão medíocre quanto à primeira versão de Marc Allegret, de 1955. A diferença entre o filme sob comentário e o de Allegret reside apenas na ousadia de imagens eróticas e do banho dos amantes nus ao ar livre, signo da libertação sexual da mulher numa sociedade repressora e hipócrita".

Confira aqui este e outros comentários do Mestre

     Caso queira entrar em contato com LG, escreva para aurora@auroradecinema.com.br ou acesse http://auroraleao.zip.net

     Semana que vem, você confere aqui mais um comentário do Mestre.

    José Miguel Wisnik é uma das maiores autoridades em Literatura e Música do país. Conversar com ele é uma honra e um grande aprendizado. Professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP), compositor, escritor, músico, pesquisador e produtor cultural, o pianista Zé Miguel Wisnik possui em seu currículo trilha para filmes e espetáculos emblemáticos (como Terra Estrangeira, de Walter Salles). São 3 CDs: José Miguel Wisnik (Cameratti - 1992), São Paulo Rio (Independente – 2000) e Pérola aos Poucos (Trama – 2003) - um dos mais belos discos do país. Músicas dele foram gravadas por cantoras do nível de Ná Ozzetti, Vânia Bastos, Elza Soares, Virgínia Rosa, Zélia Duncan. Encontrá-lo é tão raro quanto agradável. E assim foi nosso bate-papo numa Copacabana iluminada e efervescente, moldura especial a enaltecer ainda mais a bagagem poética, universal e singular da Bossa Nova, da qual Wisnik nos fala com invejável retórica. Confira

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