AURORA de Cinema, de Teatro, de Arte...
O ANO QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS
 
BENJAMIM
 
CITIZEN KANE
 
Meu Nome não é Johnny
"O Cinema cria imediatamente uma direção para a vista, que é um sentido eminentemente abstracionista, e uma fantasia para a imaginação".
Vinícius de Moraes
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Neste espaço, você acompanha diariamente o que acontece no CINEPORT, cuja programação inclui oficinas, seminários, encontros cineclubistas e das ABDs do Nordeste, competição de curtas e longas, lançamentos de livros, apresentações musicais, enfim, uma verdadeira maratona artística onde o Cinema é o condutor. Entre os lançamentos literários, o livro do Mestre LG - Analisando Cinema, cujo lançamento está marcado para sexta, dia 11, e filmes do quilate de Cartola, O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Árido Movie e O Céu de Suely em competição.

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O projeto de educação do CINEPORT, desenvolvido nas escolas públicas de João Pessoa, continua a mil por hora.

     Com apoio do Estado da Paraíba, foram impressas e estão sendo distribuídas 20.000 cartilhas sobre a lusofonia. O objetivo da direção do CINEPORT, com a publicação do Pequeno Atlas da Língua Portuguesa, é informar às crianças e aos jovens da cidade de João Pessoa acerca do universo que compõe a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa-CPLP, o qual, ano passado, completou 10 anos de existência.

     Com caprichada apresentação gráfica e rico conteúdo, a publicação faz a alegria de muitas crianças da capital paraibana, além de despertar a curiosidade pelas particularidades da CPLP.

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Em parceria com a Universidade Federal da Paraíba, o CINEPORT vai abrigar o Encontro Literatura em Diálogo na Língua Portuguesa, objetivando aproximar o Festival da comunidade acadêmica.

     Entre os dias 07 a 09 de maio, o Encontro terá uma programação recheada com a presença de grandes nomes e pesquisadores do mundo da literatura, cinema, dança e música. Escritores como o angolano José Eduardo Agualusa, os portugueses Francisco Viegas e António Loja Neves, estarão em companhia dos brasileiros Alcione Araújo e Braúlio Tavares. A participação do cineasta brasileiro Julio Bressane, do angolano Orlando Fortunato, do moçambicano Camilo de Sousa e do português Fernando Vendrell, entre outros, vai proporcionar ao público universitário excelente oportunidade para um rico intercâmbio de idéias.

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Com o propósito de ampliar cada vez mais o envolvimento com a comunidade de João Pessoa e de deixar na cidade algo além do mero “brilho das estrelas”, o CINEPORT - e a SAELPA - Sociedade de Eletrificação da Paraíba, maior patrocinadora do evento, marcam mais um tento ao decidir doar a bilheteria do Festival a entidades filantrópicas com atuação publicamente reconhecida em João Pessoa.

     A bilheteria do Festival, ficará a cada dia com uma das entidades: Sociedade São Vicente de Paula, Creche Amiguinhos, Casa da Criança com Câncer, Associação de Pais de Usuários da FUNAD, Hospital Padre Zé Coutinho, Associação Metropolitana de Erradicação da Mendicância – AMEM, Associação Santo Dias, Oficina da Cidadania e Centro de Atividades em Arte, Cultura e Ofício.

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O cineasta angolano Zezé Gamboa será o homenageado do Continente Africano com o Troféu Humberto Mauro. Seu longa “O Herói”, de 2004, exibido em Cataguases durante a primeira edição do CINEPORT, foi a primeira película estrangeira a vencer, em 2005, o Sundance Film Festival (EUA). O filme é coleciona 19 premiações internacionais.

     Preparando novo filme, O Grande Kilapy, o cineasta retoma uma história baseada em fatos reais acontecidos entre 1965 e 1974 em Luanda, durante o domínio português. O filme deverá ser rodado em Lisboa e, possivelmente, no Brasil. “Kilapy”, num dos dialetos angolanos, significa “golpe”, “esquema”. Segundo Gamboa, trata-se da história de um jovem angolano, responsável pelas Finanças no Departamento de Impostos, que começa a dilapidar o dinheiro do governo e, em pleno tempo do fascismo, 1965, torna-se um “playboy à conta do Estado”.

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João Pessoa, a adorável capital paraibana - terra de Herbert Vianna e Marcélia Cartaxo - é também a Capital e a Cidade CINEPORT do Cinema, desde sexta. Há o mar e o Sanhauá. A cidade veio de lá, do Sanhauá, afluente do rio Paraíba, e hoje se espraia por ali, pela orla atlântica. Nem arraial nem vila, a cidade “nasceu cidade” em 05 de agosto de 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves. Três meses depois já era Philipéia de Nossa Senhora das Neves, a terceira cidade mais antiga do país. E seus habitantes ditos “filipenhos”. Entre 1634 e 1654, com a invasão holandesa, passou a ser Fredericstadt. Mais conhecida por Frederica. E seus habitantes ditos “frederiquenhos”.

     Expulsos os holandeses, por volta de 1700, passou a chamar-se Parahyba do Norte, capital da Província do mesmo nome, o qual vinha do rio Parayba do Norte. E seus habitantes ditos “paraibanos”. Em 26 de julho de 1930, foi assassinado no Recife o presidente da Província da Parayba do Norte, João Pessoa Cavalcanti de Albuquerque. A partir de outubro daquele ano, um movimento iniciado por mulheres paraibanas (daí o “Paraíba masculina, mulher macho, sim senhor!”), resultou na mudança do nome para João Pessoa. E seus habitantes ditos “pessoenses”.

     Filipenhos-frederiquenhos-paraibanos-pessoenses, na verdade seus habitantes vivem numa bela e moderna cidade entre o mar e o Sanhauá. Uma cidade que sabe preservar o precioso acervo de seu centro histórico, onde se destaca o grandioso conjunto arquitetônico de São Francisco, formado pelo Convento de Santo Antônio e pela Igreja de São Francisco. Terra de gente afável, solícita, cortês e sempre bem-humorada, João Pessoa é capital de um Estado que se destaca no cenário nacional pela qualidade de seus produtos culturais. Um rico artesanato; a literatura de Zé Lins do Rego e Augusto dos Anjos; a música de Zé Ramalho e Chico César; o teatro do Grupo Piolim, com o Vau da Sarapalha, revelador de vários atores para o cinema brasileiro, como Luiz Carlos Vasconcelos, Everaldo Pontes e os irmãos Lira, Soia e Nanego; e cineastas como Linduarte Noronha, os irmãos Vladimir e Walter Carvalho, Marcus Vilar e Torquato Joel.

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O projeto Revelando os Brasis participa do festival com dois documentários realizados na Paraíba: A Encomenda do Bicho Medonho, de André da Costa Pinto (Barra de São Miguel), e Manoel Inácio e a Música do Começo do Mundo, de Leonardo Alves (São José de Piranhas), ambos da segunda edição do projeto.

     Os vídeos retratam personagens marcantes na cultura dos municípios onde foram produzidos, e serão exibidos com destaque durante a programação.

     A Encomenda do Bicho Medonho apresenta o barbeiro David Ferreira, famoso por suas esculturas em madeira formadas por peças que se encaixam para criar formas aparentemente sem emendas. Seu David, já falecido, costumava dizer que a fonte de inspiração para as esculturas era um 'bicho medonho' que o visitava em sonhos.

    Manoel Inácio e a Música do Começo do Mundo conta a trajetória do líder da banda de pífanos Os Inácios, uma das mais conhecidas do sertão paraibano. Formada por Manoel Inácio, seus filhos Zé Inácio e Antônio Inácio e o neto Valmir Inácio, a banda está fora de atividade devido ao falecimento da mulher de Seu Manoel (depois de ficar viúvo, ele jurou nunca mais se apresentar em público).

    Revelando os Brasis – Parceria entre a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura e o Instituto Marlin Azul, é um Projeto que seleciona, a cada edição, 40 autores residentes em municípios de todo o Brasil. Eles participam de cursos preparatórios de roteiro, direção, produção e operação de câmera, e depois retornam a suas cidades para transformar suas histórias em vídeos. O objetivo é promover a inclusão e a formação audiovisuais em municípios com até 20 mil habitantes, viabilizando a produção de vídeos digitais pelos próprios moradores.

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O cinema nas ruas. Palco de tiroteios, invasões de cangaceiros, beijos de amor roubados, gruas, técnicos, atores, diretores, a cidade set do Cariri paraibano recebeu com festa e muita alegria a Caravana “ROLIDEI” de cineastas, tarde de sábado, quando foi inaugurado o letreiro que confere à cidade de Cabaceiras o merecido título da Roliúde Nordestina.

     O prefeito, Ricardo Jorge Aires, e a secretária de Turismo, Josefa Gilzanes, apoiados pelo albatroz do cinema da Paraíba, o pesquisador Wills Leal, organizaram as instalações de memorial construído para abrigar a história visual dos filmes rodados na cidade. Cinema, Aspirinas e Urubus, O Auto da Compadecida e Romance são alguns dos títulos a que a Roliúde Nordestina emprestou sua luz e seus eternos figurantes - o povo de Cabaceiras.

     Da inauguração participaram, entre outros, os cineastas Júlio Bressane, Walter Lima Júnior, Orlando Senna e uma caravana de realizadores portugueses, angolanos, moçambicanos - gente de cinema presente a Paraíba a convite do CINEPORT.

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O Encontro dos Cineclubes da Paraíba tem rendido boas discussões nas manhãs e tardes com grupos de trabalho que elaboram modelos de cineclubes adequados à realidade de cada comunidade, além da redação da Carta dos Cineclubes Paraibanos, a qual conterá propostas para os governos estadual e federal.

     Diariamente, a partir das 18:30h, no Parahyba Café Literário, é a vez dos lançamentos de livros. Entre estes, destacamos, Um Gosto da Eternidade, do cineasta Orlando Senna; Conterrâneos Velhos de Guerra e Cinema Candango, de Vladimir Carvalho; e Analisando Cinema - Críticas de LG de Miranda Leão.

     Homenagem ao querido cineasta Paulo César Saraceni acontece na noite desta segunda na Tenda Andorinha Digital com sessão-tributo onde será exibido “A Etnografia da Amizade”, filme de Ricardo Miranda, onde Saraceni é o foco -

     Paulo César Saraceni é um dos fundadores do Cinema Novo e um dos mais importantes cineastas brasileiros. Saiba mais: www.festivalcineport.com.

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Terça foi o Dia Nacional do Artista Plástico, data escolhida em homenagem ao pintor paulista Almeida Júnior. O Festival realizou uma programação especial alusiva à data, iniciando na Tenda Andorinha Digital com a exibição do filme Cara de Cão, da diretora brasileira Helena Lustosa. Trata-se de um divertido e fictício bate-papo entre os artistas Hélio Oiticica, Lygia Clark e Marcel Duchamp. Dando continuidade aos eventos, a Galeria da Usina foi palco para apresentação de vídeos de arte do acervo do Núcleo de Arte Contemporânea – NAC. Em seguida, várias performances na Galeria, com artistas plásticos e convidados.
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Uma delícia estar em João Pessoa, sobretudo nesta época de CinePORT - festival de países de língua portuguesa - no qual os pessoenses acolhem os visitantes com todo carinho e abraçm o Cinema tão vasto que anda em exibição por aqui.

     As atividades tomam o dia inteiro e adentram a madrugada com as mais variadas manifestações: há a super visitada exposição em homenagem a Ariano Suassuna - um colosso ! -, uma elegante lojinha com artesanato de primeira qualidade, performances teatrais, música, poesia, dança, palestras, seminários, oficinas e cinema para todos os gostos, em todas as tendas. Sessões sempre lotadas como a que acabo de assistir com o filme No Meio da Rua, de Antônio Carlos Fontoura, com Guiherme Pereira, Tarcísio Filho e Flávia Alessandra - sessão quatro vezes aplaudida durante a projeção, uma maravilha ! Coisa rara de se ver, um estímulo que contagia a platéia inteira.

     Parabéns aos programadores, a Mônica Botelho e a Ana Fonseca, num "sufoco" feliz por ver tudo se ajustando conforme o planejado.

     De quebra, "passeiam" por aqui a internacional Marcélia Cartaxo, a cineasta Maria Letícia, além dos homenageados Vladimir Carvalho e Paulo César Saraceni. Saiba mais: www.festivalcineport.com .

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A bela escultura representantiva do CINEPORT, a ANDORINHA Dourada na praça que fica defronte à Saelpa, na avenida Epitácio Pessoa, é um belo cartão postal deste Festival que tem tudo para ser a coqueluche do audiovisual nordestino daqui pra frente.

     A réplica do Trófeu Andorinha mede 2 metros e 10cm de altura e leva a assinatura do artista plástico José Crisólogo. Feita a partir de fibra de vidro, resina poliéster, tinta dourada e verniz de alta resistência, a escultura tem sido alvo de olhares atentos e muitas fotos. A peça fica num suporte confeccionado a partir de chapa de ferro com 2 metros de comprimento por um metro de largura. Todo o trabalho foi feito no próprio ateliê do artista Crisólogo, localizado no bairro da Torre.

O Porquê da ANDORINHA

     A andorinha é uma ave migratória, medindo cerca de 13cm de comprimento e pode viver até oito anos. A diretora-geral da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho, Mônica Botelho, conta: a ave foi escolhida como símbolo do Cineport por seu espírito de mobilidade - "A Andorinha simboliza muito o elemento sem fronteiras, bastante associado ao festival, por conta do envolvimento com a produção de diversos países. Outro elemento em comum é o fato de a andorinha estar presente na maioria dos países cuja língua oficial é o português. Por isso, achamos este símbolo o ideal e a andorinha traduz muito bem o espírito e a energia geradora do Cineport".

Imagem é feita de bronze e criada a partir de material plástico


     A imagem da Andorinha no troféu do Cineport é criação do escultor do Rio de Janeiro, Ronaldo Rocha. Na fase final da criação da escultura, o Troféu Andorinha recebeu a contribuição da designer Cláudia Portela. A imagem do Troféu Andorinha é feita de bronze e o ‘Troféu Andorinha Digital’ foi criado a partir de material plástico e resina.

     Esta é a primeira vez João Pessoa abriga o Cineport, o qual reúne cerca de 80 filmes entre longas, curtas e documentários representativos dos oito países praticantes da língua portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Príncipe e Timor Leste.

     O 3º Cineport é uma realização da Fundação Cultural Ormeo Junqueira Botelho com apoio do Governo do Estado e da Prefeitura de João Pessoa, através da Fundação Cultural de João Pessoa – Funjope.

     Com 10 dias de intensa movimentação na multidimensional Usina Cultural Saelpa, o CinePORT conta com patrocínio da Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba (Saelpa), Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, Ministério da Cultura (Lei de Incentivo à Cultura), e com apoios do Governo do Estado da Paraíba, do Banco do Nordeste e do Instituto Camões - Portugal.

     Lúcia Veríssimo, Antônio Pitanga, Maria Ceiça, Marília Gabriela, Lu Grimaldi, Cláudia Alencar, o poeta Jorge Salomão, a cineasta/escritora Maria Letícia, Rosa Dias e Júlio Bressane, Paulo César Saraceni, Marcus Villar, Marcélia Cartaxo, Denise e Jayme del Cueto, Walter Carvalho, Carlos Alberto Mattos, Anderson Müller e Marx Fercondini são alguns dos famosos presentes em João Pessoa nesta autêntica maratona artística batizada de CinePORT. São esperados ainda Dira Paes e o excepcional Matheus Nachtergaele.

     São 17 longas em competição, sendo 10 brasileiros, 8 portugueses e 1 de Moçambique. Criado em Cataguases, no interior de Minas, em 2004, o festival teve sua segunda edição em Lagos (Portugal).

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Artistas Transformam Noite em Poesia

     O Cineport foi muito além das fronteiras do Cinema. Com sua programação abrangente, eclética, interessante, espalhou-se pelos muitos ambientes da Usina Saelpa em forma de música, dança, gastronomia, exposição, lançamentos literários, performances, debates, oficinas e muita movimentação atraindo desde crianças até jovens da Terceira Idade, os quais todas as noites lotavam o generoso espaço da Usina.

     O tom mais inusitado da programação, no entanto, ficou por conta do arrastão poético realizado ao final da noite de sexta quando um grupo de artistas, comandado pela alegria e verve natural do poeta baiano Jorge Salomão, organizou e realizou um dos mais belos e cativantes eventos deste Festival, cuja capital paraibana será sua sede bienal.

     Já passavam das 23h quando Jorge Salomão e sua trupe começaram a "invadir" o grande espaço onde estava abrigada a exposição em homenagem aos 80 de Ariano Suassuna. E os versos começaram a brotar, inspirados e interpretados pelo ator Bayard Tonelli (ex-Dizi Croqquets), pela cineasta Maria Letícia, pela poetisa/cantora Olinda Beja (de São Tomé e Princípe), a jornalista cearense Aurora Miranda Leão e a atriz/cantora Ava Iracema Gaitan Rocha (herdeira do cineasta de Terra em Transe). E o público foi-se chegando e não parava de se somar aos artistas, ouvidos atentamente por uma platéia onde pontificavam Rosa Dias e Júlio Bressane, Wálter Carvalho, Paulo César Saraceni, Selton Mello, cineasta Eric Rocha, Marcus Villar, jornalista Ronaldo Werneck, Maria Zilda, Lu Grimaldi, Ingra Liberato, Marcela Muniz, Lírio Ferreira, Denise e Jayme Del Cueto, jornalistas Fernando Falconi e Carlos Alberto Mattos, Marcélia Cartaxo e Zezita Mattos, Mônica Botelho, Kika Lopes e Zezé Gamboa.

     De Castro Alves a Carlos Drummond, de Vinícius de Moraes a Herbert Vianna, de Ovídio a Wally Salomão, de Camões a Francisco José Tenreiro (poeta santomense), de Fernando Pessoa a Mário Quintana, emoção e beleza celebraram aquele encontro de almas-irmãs a proclamar ali o quão todos eram brasileiros, angolanos, timorenses, guineenses, cabo-verdianos, santomenses, moçambicanos e portugueses. Todos paraibanos na mesma pulsação de orgulho-pátrio e celebração à Arte. Pra culminar e saudar a magia da simbiose e comunhão de ritos planetários, Paulo José chegou para adubar com sangue, saliva e emoção a mistura das raças sadiamente cosmopolita. Com sua inesperada e benfazeja presença, o genial Ator brasileiro, Homem de Teatro-Cinema-TV, abrilhantou o arrastão poético que adentrou a madrugada recitando Mário de Sá Carneiro, Drummond, Manuel Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana e tantos outros. Em seguida, exibiu em primeira mão os primeiros 4 exemplares de programa criado para ir ao ar no Fantástico, a partir da próxima semana, intitulado Palavras, no qual ele e a filha Bel Kutner desenham poemas brincando entre letras coloridas e esboçam verdades e reflexões através de diversas poesias, magistralmente interpretadas por ele (a trilha sonora é de João Paulo Mendonça, o filho músico de Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça).

     Um programa leve, criativo, gostoso de ver e ouvir, ao qual a enorme platéia presente àquele momento ímpar do Cineport, teve o prazer de conferir antes do resto do Brasil. Por certo, um quadro para marcar com vigoroso diferencial qualitativo as noites domingueiras logo entre no ar via Rede Globo.

     Com a Poesia funcionando como farol, os pessoenses e seus muitos convidados, puderam externar na adorável capital paraibana, ponto extremo oriental das Américas, sua vocação para a fraternidade com todos os povos dos continentes onde a língua portuguesa é matriz e geratriz de tantos laços artísticos e históricos ainda a serem mais densamente navegados. Deu-se um primeiro, importante e aprazível passo através da Poesia cultuada como biscoito fino para paladares de todos os sabores.

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CinePORT Faz de João Pessoa Pátria do Cinema Lusófono

     A Sétima Arte foi o grande motivo para reunir Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor Leste e Brasil. Nascia o CinePORT - Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, realizado de 04 a 13 de maio na capital paraibana em sua terceira edição.

     A semente foi gerada em Cataguazes, terra natal da empreendedora Mônica Botelho, locomotiva da Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a qual, aliada à Saelpa (Sociedade Anônima de Eletrificação da Paraíba), Chesf, Eletrobrás, Banco do Nordeste, Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, e com apoio da Confraria do Cinema e do Instituto Camões (Portugal), realiza um dos mais promissores festivais de Cinema do país. Criado em 2004, o Cineport objetiva integrar e desenvolver o mercado audiovisual, promovendo filmes realizados em português e dialetos falados nas nações integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

     Em 2005, a primeira edição do Festival ocorreu na cidade de Cataguases (MG), terra do pioneiro Humberto Mauro, e a segunda edição, ano passado, aconteceu em Lagos, no Algarve (sul de Portugal).

     A partir da língua portuguesa, com mais de 230 milhões de compatriotas em 4 continentes, criou-se um importante espaço para difundir e consolidar o Cinema e todas as Artes produzidas nestes países formadores da CPLP. Simbolizando fraternidade e solidariedade, a Andorinha foi escolhida como Troféu a ser entregue aos vencedores e também virou monumento erguido na pracinha defronte à Usina da Saelpa, na avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa, sede da acolhedora Cidade do Cinema, onde por 10 dias um fluxo contínuo de pessoas de todas as idades e formações acorreu para partilhar Arte - Cinema em várias tendas, música, artes plásticas, fotografia, poesia, enfim, uma saudável mistura de várias linguagens artísticas produzindo novas parcerias, celebrando afinidades profissionais, promovendo intercâmbios artísticos e estimulando novas cumplicidades estéticas.

     A Confraria do Cinema, entidade criada para dar suporte artístico ao evento, é formada por profissionais do setor nos vários países de língua oficial portuguesa, cujo presidente é o cineasta Paulo César Saraceni, um dos ícones do Cinema Novo. O CinePORT atribui os prêmios Andorinha, Andorinha Digital, Andorinha Técnica, Andorinha Criança e o troféu Humberto Mauro, o qual este ano homenageou o documentarista paraibano Vladimir Carvalho, o cineasta angolano Zezé Gamboa, Luís Galvão Telles (Portugal) e o câmara "Russo" (mais um talento da Paraíba).

     O cearense Karin Aïnouz levou duas Andorinhas com O Céu de Suely, vencedor como Melhor Diretor e Melhor Filme - sob muitos aplausos. Selton Mello (por O Cheiro do Ralo) foi Melhor Ator Coadjuvante e Dira Paes (Mulheres do Brasil) Melhor Atriz na mesma categoria. A solenidade de encerramento teve como cenário o belo e histórico Teatro Santa Roza, onde também foi homenageado o escritor Ariano Suassuna. Entre as presenças mais relevantes, os magnânimos Matheus Nachtergaele, Paulo José, Júio Bressane, Marcélia Cartaxo e o poeta Jorge Salomão.

     Para dimensionar melhor tudo qaunto representa o CinePORT, encerramos com as judiciosas palavras do crítico Carlos Alberto Mattos, um dos jurados do Troféu Andorinha Digital: "O CINEPORT é um sonho acalentado há muito tempo por muita gente que não tinha condições, coragem, vontade política de fazer. A idéia de reunir o cinema de língua portuguesa é um desejo de todo programador de cinema. Sempre houve no horizonte o desejo de um dia reunir essas várias cinematografias, evidenciar a importância extra-fronteiras da língua portuguesa e a importância da línguagem cinematográfica. Não pensar o cinema apenas como imagem, mas enfocar o aspecto da língua, chamar a atenção para outros aspectos importantes: a fala, o texto, o som".

     Confira todos os vencedores do CinePORT 2007 acessando www.festivalcineport.com .

 
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