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| "O
Cinema cria imediatamente uma direção
para a vista, que é um sentido eminentemente
abstracionista, e uma fantasia para a imaginação".
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Vinícius
de Moraes |
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Cineport |
Neste espaço, você acompanha diariamente
o que acontece no CINEPORT, cuja programação
inclui oficinas, seminários, encontros cineclubistas
e das ABDs do Nordeste, competição de curtas
e longas, lançamentos de livros, apresentações
musicais, enfim, uma verdadeira maratona artística
onde o Cinema é o condutor. Entre os lançamentos
literários, o livro do Mestre
LG - Analisando Cinema, cujo lançamento está
marcado para sexta, dia 11, e filmes do quilate de Cartola,
O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias, Árido
Movie e O Céu de Suely em competição.
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O projeto de educação do CINEPORT,
desenvolvido nas escolas públicas de João
Pessoa, continua a mil por hora.
Com
apoio do Estado da Paraíba, foram impressas e estão
sendo distribuídas 20.000 cartilhas sobre a lusofonia.
O objetivo da direção do CINEPORT,
com a publicação do Pequeno Atlas da Língua
Portuguesa, é informar às crianças
e aos jovens da cidade de João Pessoa acerca do universo
que compõe a Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa-CPLP, o qual, ano passado, completou 10 anos
de existência.
Com
caprichada apresentação gráfica e rico
conteúdo, a publicação faz a alegria
de muitas crianças da capital paraibana, além
de despertar a curiosidade pelas particularidades da CPLP.
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Em parceria com a Universidade Federal da Paraíba,
o CINEPORT vai abrigar o Encontro
Literatura em Diálogo na Língua Portuguesa,
objetivando aproximar o Festival da comunidade acadêmica.
Entre
os dias 07 a 09 de maio, o Encontro terá uma programação
recheada com a presença de grandes nomes e pesquisadores
do mundo da literatura, cinema, dança e música.
Escritores como o angolano José Eduardo Agualusa,
os portugueses Francisco Viegas e António Loja Neves,
estarão em companhia dos brasileiros Alcione Araújo
e Braúlio Tavares. A participação do
cineasta brasileiro Julio Bressane, do angolano Orlando
Fortunato, do moçambicano Camilo de Sousa e do português
Fernando Vendrell, entre outros, vai proporcionar ao público
universitário excelente oportunidade para um rico
intercâmbio de idéias.
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Com o propósito de ampliar cada vez mais o envolvimento
com a comunidade de João Pessoa e de deixar na cidade
algo além do mero “brilho das estrelas”,
o CINEPORT -
e a SAELPA - Sociedade de Eletrificação da Paraíba,
maior patrocinadora do evento, marcam mais um tento ao decidir
doar a bilheteria do Festival a entidades filantrópicas
com atuação publicamente reconhecida em João
Pessoa.
A
bilheteria do Festival, ficará a cada dia com uma
das entidades: Sociedade São Vicente de Paula, Creche
Amiguinhos, Casa da Criança com Câncer, Associação
de Pais de Usuários da FUNAD, Hospital Padre Zé
Coutinho, Associação Metropolitana de Erradicação
da Mendicância – AMEM, Associação
Santo Dias, Oficina da Cidadania e Centro de Atividades
em Arte, Cultura e Ofício.
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O
cineasta angolano Zezé Gamboa será o homenageado
do Continente Africano com o Troféu Humberto Mauro.
Seu longa “O Herói”, de 2004, exibido em
Cataguases durante a primeira edição do CINEPORT,
foi a primeira película estrangeira a vencer, em 2005,
o Sundance Film Festival (EUA). O filme é coleciona
19 premiações internacionais.
Preparando
novo filme, O Grande Kilapy, o cineasta retoma uma história
baseada em fatos reais acontecidos entre 1965 e 1974 em
Luanda, durante o domínio português. O filme
deverá ser rodado em Lisboa e, possivelmente, no
Brasil. “Kilapy”, num dos dialetos angolanos,
significa “golpe”, “esquema”. Segundo
Gamboa, trata-se da história de um jovem angolano,
responsável pelas Finanças no Departamento
de Impostos, que começa a dilapidar o dinheiro do
governo e, em pleno tempo do fascismo, 1965, torna-se um
“playboy à conta do Estado”.
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João
Pessoa, a adorável capital paraibana - terra de Herbert
Vianna e Marcélia
Cartaxo - é também a Capital
e a Cidade CINEPORT do Cinema, desde sexta. Há o mar
e o Sanhauá. A cidade veio de lá, do Sanhauá,
afluente do rio Paraíba, e hoje se espraia por ali,
pela orla atlântica. Nem arraial nem vila, a cidade
“nasceu cidade” em 05 de agosto de 1585 com o
nome de Nossa Senhora das Neves. Três meses depois já
era Philipéia de Nossa Senhora das Neves, a terceira
cidade mais antiga do país. E seus habitantes ditos
“filipenhos”. Entre 1634 e 1654, com a invasão
holandesa, passou a ser Fredericstadt. Mais conhecida por
Frederica. E seus habitantes ditos “frederiquenhos”.
Expulsos
os holandeses, por volta de 1700, passou a chamar-se Parahyba
do Norte, capital da Província do mesmo nome, o qual
vinha do rio Parayba do Norte. E seus habitantes ditos “paraibanos”.
Em 26 de julho de 1930, foi assassinado no Recife o presidente
da Província da Parayba do Norte, João Pessoa
Cavalcanti de Albuquerque. A partir de outubro daquele ano,
um movimento iniciado por mulheres paraibanas (daí
o “Paraíba masculina, mulher macho, sim senhor!”),
resultou na mudança do nome para João Pessoa.
E seus habitantes ditos “pessoenses”.
Filipenhos-frederiquenhos-paraibanos-pessoenses,
na verdade seus habitantes vivem numa bela e moderna cidade
entre o mar e o Sanhauá. Uma cidade que sabe preservar
o precioso acervo de seu centro histórico, onde se
destaca o grandioso conjunto arquitetônico de São
Francisco, formado pelo Convento de Santo Antônio e
pela Igreja de São Francisco. Terra de gente afável,
solícita, cortês e sempre bem-humorada, João
Pessoa é capital de um Estado que se destaca no cenário
nacional pela qualidade de seus produtos culturais. Um rico
artesanato; a literatura de Zé Lins do Rego e Augusto
dos Anjos; a música de Zé Ramalho e Chico César;
o teatro do Grupo Piolim, com o Vau da Sarapalha, revelador
de vários atores para o cinema brasileiro, como Luiz
Carlos Vasconcelos, Everaldo Pontes e os irmãos Lira,
Soia e Nanego; e cineastas como Linduarte Noronha, os irmãos
Vladimir e Walter Carvalho, Marcus Vilar e Torquato Joel.
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O
projeto Revelando os Brasis participa do
festival com dois documentários realizados na Paraíba:
A Encomenda do Bicho Medonho, de André da Costa Pinto
(Barra de São Miguel), e Manoel Inácio e a Música
do Começo do Mundo, de Leonardo Alves (São José
de Piranhas), ambos da segunda edição do projeto.
Os
vídeos retratam personagens marcantes na cultura dos
municípios onde foram produzidos, e serão exibidos
com destaque durante a programação.
A
Encomenda do Bicho Medonho apresenta o barbeiro
David Ferreira, famoso por suas esculturas em madeira formadas
por peças que se encaixam para criar formas aparentemente
sem emendas. Seu David, já falecido, costumava dizer
que a fonte de inspiração para as esculturas
era um 'bicho medonho' que o visitava em sonhos.
Manoel
Inácio e a Música do Começo do Mundo
conta a trajetória do líder da banda de pífanos
Os Inácios, uma das mais conhecidas do sertão
paraibano. Formada por Manoel Inácio, seus filhos Zé
Inácio e Antônio Inácio e o neto Valmir
Inácio, a banda está fora de atividade devido
ao falecimento da mulher de Seu Manoel (depois de ficar viúvo,
ele jurou nunca mais se apresentar em público).
Revelando
os Brasis – Parceria entre a Secretaria do
Audiovisual do Ministério da Cultura e o Instituto
Marlin Azul, é um Projeto que seleciona, a cada edição,
40 autores residentes em municípios de todo o Brasil.
Eles participam de cursos preparatórios de roteiro,
direção, produção e operação
de câmera, e depois retornam a suas cidades para transformar
suas histórias em vídeos. O objetivo é
promover a inclusão e a formação audiovisuais
em municípios com até 20 mil habitantes, viabilizando
a produção de vídeos digitais pelos próprios
moradores. |
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O
cinema nas ruas. Palco de tiroteios, invasões de cangaceiros,
beijos de amor roubados, gruas, técnicos, atores, diretores,
a cidade set do Cariri paraibano recebeu com festa e muita
alegria a Caravana “ROLIDEI”
de cineastas, tarde de sábado, quando foi inaugurado
o letreiro que confere à cidade de Cabaceiras o merecido
título da Roliúde
Nordestina.
O
prefeito, Ricardo Jorge Aires, e a secretária de Turismo,
Josefa Gilzanes, apoiados pelo albatroz do cinema da Paraíba,
o pesquisador Wills Leal, organizaram as instalações
de memorial construído para abrigar a história
visual dos filmes rodados na cidade. Cinema, Aspirinas e Urubus,
O Auto da Compadecida e Romance são alguns dos títulos
a que a Roliúde Nordestina
emprestou sua luz e seus eternos figurantes
- o povo de Cabaceiras.
Da
inauguração participaram, entre outros, os cineastas
Júlio Bressane, Walter Lima Júnior, Orlando
Senna e uma caravana de realizadores portugueses, angolanos,
moçambicanos - gente de cinema presente a Paraíba
a convite do CINEPORT. |
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O
Encontro dos Cineclubes da Paraíba tem rendido boas
discussões nas manhãs e tardes com grupos de
trabalho que elaboram modelos de cineclubes adequados à
realidade de cada comunidade, além da redação
da Carta dos Cineclubes Paraibanos, a qual conterá
propostas para os governos estadual e federal.
Diariamente,
a partir das 18:30h, no Parahyba Café Literário,
é a vez dos lançamentos de livros. Entre estes,
destacamos, Um Gosto da Eternidade, do cineasta
Orlando Senna; Conterrâneos Velhos de Guerra e Cinema
Candango, de Vladimir Carvalho; e Analisando Cinema - Críticas
de LG de Miranda Leão.
Homenagem
ao querido cineasta Paulo César
Saraceni acontece na noite desta segunda na
Tenda Andorinha Digital com sessão-tributo onde será
exibido “A Etnografia da Amizade”, filme de Ricardo
Miranda, onde Saraceni é o foco -
Paulo
César Saraceni é um dos fundadores do Cinema
Novo e um dos mais importantes cineastas brasileiros.
Saiba mais: www.festivalcineport.com. |
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Terça
foi o Dia Nacional do Artista Plástico, data escolhida
em homenagem ao pintor paulista Almeida Júnior. O Festival
realizou uma
programação especial alusiva à data,
iniciando na Tenda Andorinha Digital com a exibição
do filme Cara de Cão, da diretora
brasileira Helena Lustosa. Trata-se de um divertido e fictício
bate-papo entre os artistas Hélio Oiticica, Lygia Clark
e Marcel Duchamp. Dando continuidade aos eventos, a Galeria
da Usina foi palco para apresentação de vídeos
de arte do acervo do Núcleo de Arte Contemporânea
– NAC. Em seguida, várias performances na Galeria,
com artistas plásticos e convidados. |
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Uma
delícia estar em João Pessoa, sobretudo nesta
época de CinePORT
- festival de países de língua portuguesa -
no qual os pessoenses acolhem os visitantes com todo carinho
e abraçm o Cinema tão vasto que anda em exibição
por aqui.
As
atividades tomam o dia inteiro e adentram a madrugada com
as mais variadas manifestações: há a
super visitada exposição em homenagem a Ariano
Suassuna - um colosso ! -, uma elegante lojinha com
artesanato de primeira qualidade, performances teatrais, música,
poesia, dança, palestras, seminários, oficinas
e cinema para todos os gostos, em todas as tendas. Sessões
sempre lotadas como a que acabo de assistir com o filme No
Meio da Rua, de Antônio Carlos Fontoura,
com Guiherme Pereira, Tarcísio Filho e Flávia
Alessandra - sessão quatro vezes aplaudida durante
a projeção, uma maravilha ! Coisa rara de se
ver, um estímulo que contagia a platéia inteira.
Parabéns
aos programadores, a Mônica Botelho e a Ana Fonseca,
num "sufoco" feliz por ver tudo se ajustando conforme
o planejado.
De
quebra, "passeiam" por aqui a internacional
Marcélia Cartaxo, a cineasta Maria Letícia,
além dos homenageados Vladimir Carvalho e Paulo César
Saraceni. Saiba
mais: www.festivalcineport.com
.
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A
bela escultura representantiva do CINEPORT,
a ANDORINHA Dourada na praça que fica defronte à
Saelpa, na avenida Epitácio Pessoa, é um belo
cartão postal deste Festival que tem tudo para
ser a coqueluche do audiovisual nordestino daqui pra frente.
A réplica do Trófeu
Andorinha mede 2 metros e 10cm de altura e
leva a assinatura do artista plástico José Crisólogo.
Feita a partir de fibra de vidro, resina poliéster,
tinta dourada e verniz de alta resistência, a escultura
tem sido alvo de olhares atentos e muitas fotos. A peça
fica num suporte confeccionado a partir de chapa de ferro
com 2 metros de comprimento por um metro de largura. Todo
o trabalho foi feito no próprio ateliê do artista
Crisólogo, localizado no bairro da Torre.
O
Porquê da ANDORINHA
A andorinha é uma ave
migratória, medindo cerca de 13cm de comprimento e
pode viver até oito anos. A diretora-geral da Fundação
Cultural Ormeo Junqueira Botelho, Mônica Botelho,
conta: a ave foi escolhida como símbolo do Cineport
por seu espírito de mobilidade - "A Andorinha
simboliza muito o elemento sem fronteiras, bastante associado
ao festival, por conta do envolvimento com a produção
de diversos países. Outro elemento em comum é
o fato de a andorinha estar presente na maioria dos países
cuja língua oficial é o português. Por
isso, achamos este símbolo o ideal e a andorinha traduz
muito bem o espírito e a energia geradora do Cineport".
Imagem é feita de bronze e criada a partir de material
plástico
A imagem da Andorinha no troféu
do Cineport é criação do escultor do
Rio de Janeiro, Ronaldo Rocha. Na fase final da criação
da escultura, o Troféu
Andorinha recebeu a contribuição
da designer Cláudia Portela. A imagem do Troféu
Andorinha é feita de bronze e o ‘Troféu
Andorinha Digital’ foi criado a partir de material plástico
e resina.
Esta é a primeira vez
João Pessoa abriga o Cineport, o qual reúne
cerca de 80 filmes entre longas, curtas e documentários
representativos dos oito países praticantes da língua
portuguesa: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé, Príncipe
e Timor Leste.
O 3º Cineport é
uma realização da Fundação Cultural
Ormeo Junqueira Botelho com apoio do Governo do Estado e da
Prefeitura de João Pessoa, através da Fundação
Cultural de João Pessoa – Funjope.
Com 10 dias de intensa movimentação
na multidimensional Usina Cultural Saelpa, o CinePORT conta
com patrocínio da Sociedade Anônima de Eletrificação
da Paraíba (Saelpa), Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina,
Ministério da Cultura (Lei de Incentivo à Cultura),
e com apoios do Governo do Estado da Paraíba, do Banco
do Nordeste e do Instituto Camões - Portugal.
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Lúcia
Veríssimo, Antônio Pitanga, Maria Ceiça,
Marília Gabriela, Lu Grimaldi, Cláudia Alencar,
o poeta Jorge Salomão, a cineasta/escritora Maria Letícia,
Rosa Dias e Júlio Bressane, Paulo César Saraceni,
Marcus Villar, Marcélia Cartaxo, Denise e Jayme del
Cueto, Walter Carvalho, Carlos Alberto Mattos, Anderson Müller
e Marx Fercondini são alguns dos famosos presentes
em João Pessoa nesta autêntica maratona artística
batizada de CinePORT. São esperados ainda Dira Paes
e o excepcional Matheus Nachtergaele.
São 17 longas em competição,
sendo 10 brasileiros, 8 portugueses e 1 de Moçambique.
Criado em Cataguases, no interior de Minas, em 2004, o festival
teve sua segunda edição em Lagos (Portugal).
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Artistas
Transformam Noite em Poesia
O Cineport foi muito além
das fronteiras do Cinema. Com sua programação
abrangente, eclética, interessante, espalhou-se pelos
muitos ambientes da Usina Saelpa em forma de música,
dança, gastronomia, exposição, lançamentos
literários, performances, debates, oficinas e muita
movimentação atraindo desde crianças
até jovens da Terceira Idade, os quais todas as noites
lotavam o generoso espaço da Usina.
O tom mais inusitado da programação,
no entanto, ficou por conta do arrastão poético
realizado ao final da noite de sexta quando um grupo de artistas,
comandado pela alegria e verve natural do poeta baiano Jorge
Salomão, organizou e realizou um dos mais belos e cativantes
eventos deste Festival, cuja capital paraibana será
sua sede bienal.
Já passavam das 23h quando
Jorge Salomão e sua trupe começaram a "invadir"
o grande espaço onde estava abrigada a exposição
em homenagem aos 80 de Ariano Suassuna. E os versos começaram
a brotar, inspirados e interpretados pelo ator Bayard Tonelli
(ex-Dizi Croqquets), pela cineasta Maria Letícia, pela
poetisa/cantora Olinda Beja (de São Tomé e Princípe),
a jornalista cearense Aurora Miranda Leão e a atriz/cantora
Ava Iracema Gaitan Rocha (herdeira do cineasta de Terra em
Transe). E o público foi-se chegando e não parava
de se somar aos artistas, ouvidos atentamente por uma platéia
onde pontificavam Rosa Dias e Júlio Bressane, Wálter
Carvalho, Paulo César Saraceni, Selton Mello, cineasta
Eric Rocha, Marcus Villar, jornalista Ronaldo Werneck, Maria
Zilda, Lu Grimaldi, Ingra Liberato, Marcela Muniz, Lírio
Ferreira, Denise e Jayme Del Cueto, jornalistas Fernando Falconi
e Carlos Alberto Mattos, Marcélia Cartaxo e Zezita
Mattos, Mônica Botelho, Kika Lopes e Zezé Gamboa.
De Castro Alves a Carlos Drummond,
de Vinícius de Moraes a Herbert Vianna, de Ovídio
a Wally Salomão, de Camões a Francisco José
Tenreiro (poeta santomense), de Fernando Pessoa a Mário
Quintana, emoção e beleza celebraram aquele
encontro de almas-irmãs a proclamar ali o quão
todos eram brasileiros, angolanos, timorenses, guineenses,
cabo-verdianos, santomenses, moçambicanos e portugueses.
Todos paraibanos na mesma pulsação de orgulho-pátrio
e celebração à Arte. Pra culminar e saudar
a magia da simbiose e comunhão de ritos planetários,
Paulo José chegou para adubar com sangue, saliva e
emoção a mistura das raças sadiamente
cosmopolita. Com sua inesperada e benfazeja presença,
o genial Ator brasileiro, Homem de Teatro-Cinema-TV, abrilhantou
o arrastão poético que adentrou a madrugada
recitando Mário de Sá Carneiro, Drummond, Manuel
Bandeira, Mário de Andrade, Mário Quintana e
tantos outros. Em seguida, exibiu em primeira mão os
primeiros 4 exemplares de programa criado para ir ao ar no
Fantástico, a partir da próxima semana, intitulado
Palavras, no qual ele e a filha Bel Kutner desenham poemas
brincando entre letras coloridas e esboçam verdades
e reflexões através de diversas poesias, magistralmente
interpretadas por ele (a trilha sonora é de João
Paulo Mendonça, o filho músico de Rosamaria
Murtinho e Mauro Mendonça).
Um programa leve, criativo,
gostoso de ver e ouvir, ao qual a enorme platéia presente
àquele momento ímpar do Cineport, teve o prazer
de conferir antes do resto do Brasil. Por certo, um quadro
para marcar com vigoroso diferencial qualitativo as noites
domingueiras logo entre no ar via Rede Globo.
Com a Poesia funcionando como
farol, os pessoenses e seus muitos convidados, puderam externar
na adorável capital paraibana, ponto extremo oriental
das Américas, sua vocação para a fraternidade
com todos os povos dos continentes onde a língua portuguesa
é matriz e geratriz de tantos laços artísticos
e históricos ainda a serem mais densamente navegados.
Deu-se um primeiro, importante e aprazível passo através
da Poesia cultuada como biscoito fino para paladares de todos
os sabores. |
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CinePORT
Faz de João Pessoa Pátria do Cinema Lusófono
A Sétima Arte foi o grande
motivo para reunir Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau,
Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe,
Timor Leste e Brasil. Nascia o CinePORT - Festival de Cinema
de Países de Língua Portuguesa, realizado de
04 a 13 de maio na capital paraibana em sua terceira edição.
A semente foi gerada em Cataguazes,
terra natal da empreendedora Mônica Botelho, locomotiva
da Fundação Ormeo Junqueira Botelho, a qual,
aliada à Saelpa (Sociedade Anônima de Eletrificação
da Paraíba), Chesf, Eletrobrás, Banco do Nordeste,
Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina, e com
apoio da Confraria do Cinema e do Instituto Camões
(Portugal), realiza um dos mais promissores festivais de Cinema
do país. Criado em 2004, o Cineport objetiva integrar
e desenvolver o mercado audiovisual, promovendo filmes realizados
em português e dialetos falados nas nações
integrantes da Comunidade dos Países de Língua
Portuguesa (CPLP).
Em 2005, a primeira edição
do Festival ocorreu na cidade de Cataguases (MG), terra do
pioneiro Humberto Mauro, e a segunda edição,
ano passado, aconteceu em Lagos, no Algarve (sul de Portugal).
A partir da língua portuguesa,
com mais de 230 milhões de compatriotas em 4 continentes,
criou-se um importante espaço para difundir e consolidar
o Cinema e todas as Artes produzidas nestes países
formadores da CPLP. Simbolizando fraternidade e solidariedade,
a Andorinha foi escolhida como Troféu
a ser entregue aos vencedores e também virou monumento
erguido na pracinha defronte à Usina da Saelpa, na
avenida Epitácio Pessoa, em João Pessoa, sede
da acolhedora Cidade do Cinema, onde por 10 dias um fluxo
contínuo de pessoas de todas as idades e formações
acorreu para partilhar Arte - Cinema em várias tendas,
música, artes plásticas, fotografia, poesia,
enfim, uma saudável mistura de várias linguagens
artísticas produzindo novas parcerias, celebrando afinidades
profissionais, promovendo intercâmbios artísticos
e estimulando novas cumplicidades estéticas.
A Confraria do Cinema, entidade
criada para dar suporte artístico ao evento, é
formada por profissionais do setor nos vários países
de língua oficial portuguesa, cujo presidente é
o cineasta Paulo César Saraceni, um dos ícones
do Cinema Novo. O CinePORT atribui os prêmios Andorinha,
Andorinha Digital, Andorinha Técnica, Andorinha Criança
e o troféu Humberto Mauro, o qual este ano homenageou
o documentarista paraibano Vladimir Carvalho, o cineasta angolano
Zezé Gamboa, Luís Galvão Telles (Portugal)
e o câmara "Russo" (mais um talento da Paraíba).
O cearense Karin Aïnouz
levou duas Andorinhas com O Céu de Suely,
vencedor como Melhor Diretor e Melhor Filme - sob muitos aplausos.
Selton Mello (por O Cheiro do Ralo) foi Melhor Ator Coadjuvante
e Dira Paes (Mulheres do Brasil) Melhor Atriz na mesma categoria.
A solenidade de encerramento teve como cenário o belo
e histórico Teatro Santa Roza, onde também foi
homenageado o escritor Ariano Suassuna. Entre as presenças
mais relevantes, os magnânimos Matheus Nachtergaele,
Paulo José, Júio Bressane, Marcélia Cartaxo
e o poeta Jorge Salomão.
Para dimensionar melhor tudo
qaunto representa o CinePORT, encerramos com as judiciosas
palavras do crítico Carlos Alberto Mattos, um dos jurados
do Troféu Andorinha Digital: "O
CINEPORT é
um sonho acalentado há muito tempo por muita gente
que não tinha condições, coragem, vontade
política de fazer. A idéia de reunir o cinema
de língua portuguesa é um desejo de todo programador
de cinema. Sempre houve no horizonte o desejo de um dia reunir
essas várias cinematografias, evidenciar a importância
extra-fronteiras da língua portuguesa e a importância
da línguagem cinematográfica. Não pensar
o cinema apenas como imagem, mas enfocar o aspecto da língua,
chamar a atenção para outros aspectos importantes:
a fala, o texto, o som".
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