Textos de Rubens Ewald Filho, Marcelo Janot, Celso Sabadin, Carlos Alberto Mattos...
O ANO QUE MEUS PAIS SAÍRAM DE FÉRIAS
 
BENJAMIM
 
CITIZEN KANE
 
Meu Nome não é Johnny
"O Cinema cria imediatamente uma direção para a vista, que é um sentido eminentemente abstracionista, e uma fantasia para a imaginação".
Vinícius de Moraes
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     Aberta com noite contagiantemente festiva a 30ª edição do Guarnicê, o Festival de Cinema mais festeiro do Brasil!

     À entrada do Centro Cultural Odylo Costa, filho, onde acontecem as mostras competitivas, uma instalação típica convida a entrar no alegre clima maranhense, tão mais junino nesta Ilha do Amor.

     O Festival prossegue até domingo, 17, reunindo produtores, realizadores, atores, jornalistas e cinéfilos de todo o país. A cerimônia de abertura no Teatro Alcione Nazaré - com a bela apresentção da ex-Miss Maranhão Amélia Cristina -contou com a palavra de boas-vindas do prof. Fernando Antônio Ramos, Reitor da UFMA, seguindo-se apresentação do coral da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e exibição da Mostra Retrospectiva 30 Anos do Festival de Guarnicê. Destaque para o poético Jardins Suspensos, incursão de Euclides Moreira Neto como realizador cinematográfico.

     A Mostra Retrospectiva da noite inaugural exibiu ainda outros filmes convidados: Na Terra de Caboré, de Murilo Santos; Rosas, de Ione Coelho; Litânia da Velha, de Frederico Machado; Filé com Fritas, de Murilo Santos; e Bom Te Ver, de Francisco Colombo e Léa Furtado.
Aqui estamos até domingo, maravilhados com os muitos encantos desta bucólica ilha e recepcionados com o maior carinho e atenção pela turma tão especial integrante da equipe de Euclides Moreira Neto. A começar pela calorosa acolhida no aeroporto (com o querido Wagner, da Baluz) até chegarmos ao luxuoso e aconchegante Grand Hotel São Luís (requinte nas instalações, aconchego nos quartos e uma culinária de dar água na boca), onde os cineclubistas passam manhãs e tardes em debates comandados pelo sempre alerta João Pimentel Neto.

     Realizado pela UFMA, por meio do Departamento de Assuntos Culturais, Comunicação Social e Artes, o Guarnicê conta com apoio da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, por meio de recursos do Fundo Nacional de Cultura (FNC).

     Além das Mostras e dos Concursos de Filmes e Vídeos, acontecem debates, seminários, palestras, workshops, cursos, lançamentos de livros, exposições e encontros dentro da programação do Festival.

     Aqui no Aurora de Cinema, você vai ficar sabendo mais.
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     O público mais uma vez comparece massivamente às exibições do Guarnicê. Muita gente para ver os curtas da Mostra Competitiva, diariamente a partir das 15:30h. A noite começa às 19:30 com as homenagens desta edição, sempre seguidas de apresentação de uma expressão musical da cidade e então vamos aos filmes. No palco, Amélia Cristina conta com a presença de uma bela índia, representante do Boi Pirilampo (sensível toque cultural, típico das produções de Mestre Euclides).
     Leona Cavalli foi a portadora primeira da entrega de honrarias. E vieram os filmes, quando o público deu boas risadas com Era uma Vez, de Gisele Weneck, Guilherme Reis e Byron O'Neil (este mineiro entende do ofício); aplaudiu com vibração o Vida Maria do cearense Márcio Ramos (já bem premiado em alguns festivais) e vimos com atenção a estréia de Selton Mello na direção (Quando o Tempo Cair), com o ator Jorge Loredo.
     O longa convidado foi Conspiração do Silêncio, de Ronaldo Duque, com o diretor e Norton Nascimento na divulgação, e, pra encerrar com a animação própria do festival, uma apresentação do Cacurelê, o Cacuriá da Basson. Máquina em punho, nós e vários outros fotógrafos amadores registrando tudo pra matar as saudades quando regressar à terra natal.
Mais 30 para o Guarnicê !!!
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     Mais gente chegando para aumentar a beleza e as alegrias desta festança danada que é o Guarnicê. Hoje foi a vez de Calé Alencar (músico e pesquisador cultural cearense), Adriano Lima (coordenador do Curta Canoa, concorrendo com o documentárioCine Zé Sozinho) e Marcélia Cartaxo (a premiadíssima paraibana de A Hora da Estrela, agora também fazendo parte do universo de Suassuna em A Pedra do Reino).

     Calé Alencar será a grande atração musical cearense na festa do Cinema Brasileiro efervescente em terras maranhenses. Vai mostrar como dedilha bem o violão e emprestar sua bela voz às preciosas canções de seu multifário repertório no refinado Dom Calamar (restô-teatro), noite de sábado. Por certo, estará cercado de amigos e novos admiradores, ocasião na qual aproveita para fazer merecida saudação aos 30 do Guarnicê e a seu dínamo Euclides Moreira Neto.

     Ficamos sabendo também: além de Paulo Betti (chegante de sexta) e Dira Paes, quem também vem abrilhantar o congraçamento do Cinema Brasileiro em São Luís é Francisco César Filho (o gentleman Chiquinho) e Rubens Ewald Filho - crítico dos mais abalisados, figura singular em quem tão bem se unem a Cultura, o Jornalismo, a Comunicação, a Ética, a Simpatia e a convivência prazerosa, além de amigo muito querido.

     Salve Rubens! Viva Paulo Betti! Um Abraço enorme em todos nós, privilegiados da trupe guarniceniana.

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COPIÃO GUARNICÊ

     A primeira alegria foi logo no avião: de longe, eu e Luciana Araújo, a encantadora "Lourinha" do Canal Brasil, nos vimos e haja emoção. O Guarnicê foi o responsável, mais uma vez, pelo meu feliz encontro com LU, esta adorável repórter festeira do Melhor Canal Brasileiro de Cinema. Salve LU!!! Que saudade...

     Depois foi a vez de avistar Jaime Del Cueto (provocando logo saudades da querida Denise)... e vieram Leona Cavalli, Lucila Meireles e Eneida Barbosa do Zoom e acabei tomando acento ao lado de Daniel Turini, jovem realizador a quem ainda não conhecia e com quem dividi ótima conversa de Fortaleza a São Luís. Vôo tranqüilo e no horário, desembarcamos na capital maranhense antes das 15h e no aeroporto já estava Wagner, respondendo pela Baluz, com sua costumeira hospitalidade. Tudo sinalizando um grande Festival. Foi também no aeroporto onde reencontrei o adorável Gui Castor, realizador capixaba dos melhores, parceiro e amigo querido (participando com LG - Cidadão de Cinema).

     A nós, convidados de Euclides, estavam reservadas várias surpresas: a primeira delas foi o Grand Hotel São Luís, antes o famoso Vila Rica, lugar aconchegante e confortável, localização privilegiada (no Largo dos Leões e vizinho à Catedral) com um amplo saguão de pedras e lajotas - delícia andar ali de pés descalços, ao que fui obrigada por chegar por vezes com os pés a pedir socorro por tanta dança nos paralelepípedos preservados do inesquecível Centro Histórico desta capital onde pareço ter vivido em outras épocas, tal é minha afinidade e completa paixão por São Luís (cujo nome parece sempre homenagear este Mestre tão profundo e admirável, meu Pai). A piscina do Grand São Luís é outro encanto, além dos quartos cuja vista é a Baía de São Marcos. Dos atores, o primeiro a chegar foi Norton Nascimento e sua doce Kelly Cândia, duas almas grandiosas, acompanhados de Ronaldo Duque (cineasta de "A Conspiração do Silêncio").

     A proximidade do Hotel do Centro Cultural Odylo Costa Filho, cenário para a noite de abertura e para as principais mostras competitivas do Guarnicê, permitia descer as ladeiras para chegar ao Centro Histórico e lá consagrar São Luís como a Capital do Cinema Brasileiro na movimentada semana onde o melhor festival de Cinema do Norte e Nordeste alcançou neste 2007 suas três décadas de incentivo e afirmação do Cinema Brasileiro. Aliás, o "Odylo" abrigava duas exposições: uma mostra de fotos retrospectiva dos 30 anos de festival e Uroou do Boi reunindo belas esculturas de Valdinand Mendes Almeida inspiradas nos festejos juninos. Euclides Moreira Neto, cinéfilo apaixonado, homem da Cultura e das tradições populares, misto de coordenador, produtor, exemplo de amigo/filho/professor/funcionário/realizador e verdadeiro agitador cultural, recepciona seus convidados como se para cada um abrisse uma vaga no coração e faz das estadas em São Luís um verdadeiro oásis de benquerença e irmandade. Até um elegante almoço no Palácio dos Leões, anfitrionado pelo casal Governador Jackson Lago, constou da pauta e permitiu adentrar as dependências do edifício, primor de beleza arquitetônica e conservação. Pergunte-se a qualquer um de nós, participantes do Guarnicê, quem não sai de São Luís já sonhando com a próxima edição. Por certo, a resposta será: "Até ano que vem, terra adorada !"

     Prometi a todos os amigos: vou fazer um COPIÃO GUARNICÊ ! Porque fico em São Luís tão encharcada de Cultura e respeito à História, que o sentimento não pode ser outro a não ser a vontade de ressaltar as belezas maranhenses e aplaudir quem entende a arquitetura, a Arte e as manifestações culturais como vinhos da mesma pipa.

     Tantas são as atividades da semana do Festival, tantos amigos a merecer citação mais acurada, tantos agradecimentos, tanta história a contar entre casarios, arroz-de-cuchá, pratos de camarão, caranguejo e vatapá, o delicioso bolo de chocolate da Dona Jesus, as matracas e zabumbas dos muitos Bois colorindo a cidade de magia e encantamento, convidando pra dançar a sensibilidade, que só há um caminho: saudar a todos e brindar a efervescência emotiva a bailar junto com os inúmeros grupos populares encantadores do olhar e cujas evoluções arrepiam os azulejos ancestrais desta cidade criada pelos franceses. O carinho com o qual nos recebem todos - desde o querido Celso Brandão e o professor Fernando Ramos, passando por Veiga Júnior, Joel Jacintho, Fernando Oliveira, Lauro Vasconcelos, e chegando até Wagner Baluz e Guterres, que escrever pouco é esquecer muito. E esquecer de ser generoso é tão terrível quanto ser ingrato.

     Reencontrar tantos amigos e conhecer outros tantos navegadores da mesma praia do Audiovisual é uma delícia tão rara quanto tocante. Jaime Del Cueto é um número especial ! Que Alegria contagiante prosear com ele, ouvir tantas histórias importantes e formadoras dos bastidores do nosso Cinema ! Que Ator/Produtor "Moleque" é o Jaime para quem todas as tribos são a sua tribo e com quem todos podem partilhar momentos de fino aprendizado, alegres peraltices e aprender como é bonito ver passar o tempo sem se intimidar com ele. Salve Jaime! Da próxima, leva a Denise, a quem queremos tanto bem!

     Na programação, ressalte-se a exibição de títulos relevantes como Cafundó (filme instigante de Paulo Betti com primorosa atuação de Lázaro Ramos), Cine Tapuia (de Rosemberg Cariry) e Cão sem Dono (a novíssima e premiada obra de Beto Brant). A noite de encerramento teve solenidade na pequena jóia arquitetônica, o Teatro Arthur Azevedo, onde a beleza mestiça de Amélia Cristina conduziu o espetáculo e a platéia aplaudiu de pé a Euclides Moreira Neto. O gesto traduz reconhecimento e apoio à dedicação incansável de Euclides. As reportagens de tevê e jornal dizem melhor. Entre as atrações musicais, o belo canto lírico de Lívia Correia, muito aplaudida. O maestro Mucheraque respondeu pela afinada apresentação do Coral da UFMA - presenteando a platéia com duas pérolas de Vinícius de Moraes - encerrando com um Boi, cujo refrão foi acompanhado em uníssono pela platéia. Maravilha !

     A roda do Guarnicê aumenta a cada ano e desta vez tivemos Liana Correia (simpatia do CTAv), Elynês Rodrigues (MinC), os jornalistas Celso Sabadin e Ismaelino Pinto, Caó Cruz Alves, Emannoel Freitas (Festival de Belém), Maria Luíza Aboim (planejando festival para Teresópolis), Marco Antonelli, os atores Leuda Bandeira e Andrade Júnior, Eneida e Lucila focando as melhores imagens para o Zoom; Lu (Salve o Canal Brasil!), os realizadores Danielle e Márcio Câmara, Michelline Helena, Samya Araújo, Adriano Lima, Ives Albuquerque e Cássio Araújo (conterrâneos queridos); Lula Gonzaga à frente da turma dos Pontos de Cultura; Allan Ribeiro, cineasta premiado e amigo desde que nos conhecemos numa edição do CinePE (impressionou-me então seu primeiro filme - Boca a Boca); João Pimentel agitando o universo Cineclubista; Solange Lima representando a ABD; Chiquinho César Filho lembrando o Festival de Atibaia; Clélia Bessa, ministrante de oficina de Produção. E teve ainda a Pequena Notável paraibana Marcélia Cartaxo (curtindo todas as delícias maranhenses, do bacuri às festas do Boi); Leona Cavalli, Dira Paes, Paulo Betti e Rubens Ewald Filho (lançando seu Guia de DVD 2007); a bela Jal representando a Labocine; José Américo Ribeiro a Ocic; Francisco Fenelosa o festival de Valência; e haja gente boa e haja memória indormida. Me perdoarão aqueles a quem a memória me trair: são muitos os convidados para a festa e olhos, ouvidos, alma e coração ficam completamente absortos com os múltiplos encantos desta Ilha apropriadamente celebrada como do Amor pois enamorados ficamos todos nós quando sentimos no ar o cheiro efervescente da cultura maranhense. Eu então, homenageada nesta 30a edição - de alma absolutamente feliz e grata a Euclides e sua equipe que concordou com a Homenagem - não tenho palavras para expressar o muito (em intensidade e profundidade) que me açoitou o coração estar mais uma vez em São Luís. Ademais, ser premiada com a honrosa presença de Calé Alencar - parceiro de tantas jornadas, cuja presença só iluminou ainda mais a honraria a mim concedida (muito mais pelo espírito generoso de Euclides do que por merecimento, equívoco que me faz um bem danado), tenho apenas a declarar - com as devidas desculpas aos nomes esquecidos e as vivências esmaecidas na tela da emoção por tanta gratidão e contentamento: São Luís, teu cenário é uma beleza que a natureza criou e o homem soube preservar; Guarnicê, sua realização é uma necessidade físico/emocional para o Audiovisual Brasileiro; Euclides, sua garra, determinação e paixão pela Cultura de seu povo e de seu lugar é contagiante até para o mais insensível dos mortais. Grata por me ter em sua lista de amigos.

GUARNICÊ: Ontem, Hoje e Sempre:

Estamos e Estaremos com Você !

Passado, Presente e Futuro de Glória !

     Que estas três décadas sejam eternamente sucedidas com a multifária vitrine de tendências culturais abrigadas em sua caprichada e extensa programação!

     Que os Bois e os Cacuriás estejam sempre pelas acolhedoras ruas de São Luís e os Tambores de Crioula ecoem cada vez mais vibrantes chamando pra roda - juntando as saias de todas nós que amamos rodopiar para dizer Saravá, São Luís! Nós te Amamos ! -, e conclamando às telas de Cinema quem leva no peito a cidadania brasileira, de qualquer cor e origem, para reverenciar a Arte mais completa de todas, tão altruísta quanto bela, irmanando-se na junção de todas as outras formas de expressão artística e deixando bater mais forte o coração nestes tempos juninos onde as luzes são pra iluminar a todos, onde a Festa é Sua, é de todos nós, é de quem quiser, quem vier !

     Salve Euclides ! Viva São Luís ! Saravá, Guarnicê !

     Nosso aplauso caloroso, nosso apoio permanente e nossa alegria sempre maior por retornar a São Luís para celebrar esta grande vitrine do Cinema, onde o Brasil é mais Nordeste e o Nordeste é completamente universal.

     Dá-lhe 30, Guarnicê !!! E até 2008 !!!

 
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