"A
Bossa Nova é uma criação brasileira dialogando
com a música do mundo"
Paulista
de São Vicente, José
Miguel Wisnik começou a estudar piano
aos sete anos, chegando a fazer concertos como solista ao
lado da Orquestra Sinfônica de São Paulo (regência
do maestro Souza Lima) quando era adolescente. Aos 18 anos
apresentou-se pela primeira vez como solista da Orquestra
Municipal de São Paulo, tocando o "Concerto
n° 2", de Camille Saint-Saens. No fim da década
de 60, ao entrar no Curso de Letras da USP, começou
a escrever suas primeiras canções, com destaque
para "Outra Viagem", interpretada por Alaíde
Costa no Festival Universitário da TV Tupi em 1968.
Tem mestrado e doutorado em Teoria Literária, publicando
vários ensaios sobre literatura e música,
como "O Som e o Sentido – Uma Outra História
da Música", lançado pela Companhia das
Letras em 1989. Foi também em 89 que o curta A mulher
do atirador de facas recebeu prêmio de Melhor Trilha
em Gramado com música sua. E no início da
década de 90, passou a dedicar-se à sua maior
paixão, a Música.
Zé
Miguel Wisnik possui em seu currículo trilha para
filmes e espetáculos emblemáticos (como Terra
Estrangeira, de Walter Salles e Daniela Thomas, de 1996;
e Nazareth - "uma interpretação de Ernesto
Nazareth em contraponto com certos temas musicais de Machado
de Assis” - para o Grupo Corpo). Em 1998 compôs
Assum Branco, elogiada reconstrução
de Assum Preto, clássico de Luiz Gonzaga, gravada
por Gal Costa. Como produtor, criou um dos melhores CDs
de Elza Soares, Do cóccix até o pescoço
(2002). Como intérprete e compositor, lançou
um dos melhores CDs de 2003, Pérolas
aos poucos. Confira nossa aula-entrevista
com Zé Miguel Wisnik, uma Pérola
para deliciar quem quer apreender mais Cultura. Nossos
APLAUSOS, sempre, para Wisnik
!
AML- Como
músico, compositor, grande estudioso e pesquisador
da MPB, você teria algum rosto para definir a Música
Brasileira ?
JMW- Eu
acho que a música brasileira é muito variada,
múltipla, é plural, tem muitas faces, e você
tem tanto músicas urbanas como músicas não
urbanas, músicas das várias regiões.
AML- Quando
se diz que a Música Popular Brasileira hoje não
tem mais nada – alguns mais radicais chegam a dizer
que a boa música brasileira foi a dos anos 30-40
e acabou -, você acha que há falta de visão
nisso, ou a música brasileira hoje está mesmo
muito ruim, ou é por que setores consideráveis
da mídia abrem espaços demais pra músicas
de muito baixa qualidade mesmo ?
JMW- Eu
acho que a música brasileira é fortíssima,
riquíssima e tem atravessado os tempos com muita
força. Agora, os anos 60 foram fortíssimos:
a Bossa Nova, a chamada MPB, a Tropicália, etc. E
depois houve movimentos importantes nos anos 70/80/90...
Agora eu acho que já houve épocas que primeiro:
havia mais unanimidade, havia mais centralidade, as coisas
eram conhecidas... Havia hinos que embalavam o Brasil
inteiro. Hoje a sociedade mudou muito, ela é
fragmentada. A sociedade é fragmentada, a cultura
é fragmentada, não há centros propriamente,
tudo é descentralizado. Então, é difícil
uma coisa que tem uma importância pra todo mundo que
não seja do grande mercado de massa, que visa ao
entretenimento imediato, em geral, embora mesmo no grande
mercado de massa possa haver coisas boas, mas ao mesmo tempo
é uma música que tem hoje Lenine, Arnaldo
Antunes, música instrumental de grande qualidade,
além dos outros que já fazem música
há muito tempo, que continuam fazendo... tem artistas
que atravessaram décadas e continuam fazendo coisas
de grande qualidade, além daqueles que surgiram há
menos tempo, e tem grandes cantoras novas, tem artistas
instrumentais muito bons como Carlos Malta, o Marcos Suzano,
pra dar dois exemplos assim... e compositores. Então
eu acho que a música brasileira continua forte, diversificada
mas o mundo mudou e hoje em dia você não
tem mais hinos que embalam todo mundo, em nenhuma área.
AML- Em
geral, quando a gente liga o rádio no Brasil, a predominância
de música estrangeira é incrivelmente superior,
sobretudo a americana. A que você atribui isso: é
uma deficiência do público que deixa de reivindicar
uma programação diferente, valorizadora da
nossa cultura, ou são questões mercadológicas
?
JMW- Bom,
eu acho que até certa altura era verdade que a música
estrangeira e a americana eram dominantes no rádio.
Hoje nem é. Houve um mercado de música brasileira
que ocupou o rádio em São Paulo e no Rio.
O que mais toca é música brasileira, não
é estrangeira. Só que o “jabá”
é verdade; é uma instituição
absoluta. Nas grandes rádios só se toca por
“jabá”... o espaço do rádio
é comprado como se fosse um espaço de propaganda,
como se todo o espaço da rádio virasse um
espaço mercantilizado. Assim como tem a hora
da propaganda, a hora que toca a música também
é uma hora comprada. Então as gravadoras
compram 10 inserções, 20 inserções
por dia, entende?!, e investem nisso e isso transformou
o espaço das grandes rádios num espaço
ligado ao objetivo imediato das vendas de massa, vendas
que objetivam grandes tiragens e isso desfez uma
coisa que chegou a existir no Brasil, que é música
de altíssima qualidade em grande quantidade, que
é um fato único no mundo, é raro no
mundo que isso tenha acontecido. No Brasil chegou
a acontecer, e acontece às vezes mas isso deixou
de ser... quer dizer, o “jabá” já
foi dominante, eu acho. Na década de 50 deixou de
ser, na década de 60 e 70 voltou a ser, na década
de 80 e 90... Então, independente de ser música
brasileira, é música em espaço comprado.
Às vezes surgem rádios, eu digo pela experiência
de São Paulo e do Rio, que tocam música brasileira
fora de “jabá” e que ganham público,
e que quando elas crescem, são compradas e viram
iguais às outras. Então, nesse momento, é
difícil pra quem produz música brasileira
ter a rádio pra veicular, ter a loja pra vender porque
os grandes conglomerados vendem ligados às grandes
distribuidoras. Então, quem produz música
no Brasil ainda hoje, que não visa ao entretenimento
imediato, não tem nem o lugar pra vender nem a rádio
pra divulgar, e esse é um problema sério.
AML- Como
um admirador confesso de Caetano Veloso, como você
vê as críticas muitas vezes dirigidas a ele,
afirmando que ele agora faz música pra novela, pra
vender disco... ?
JMW- É
o seguinte: um dos últimos discos do Caetano chama
“Noites do Norte”. Não vejo nenhuma música
pra novela nesse disco, rigorosamente nenhuma, nenhuma sequer
que possa ser tocada no rádio visando ao ‘hit’.
É um disco refinado e completamente condizente, coerente
com toda a trajetória do Caetano e é uma simplificação
brutal imaginar que o Caetano tornou-se um “vendido”,
que quer fazer música pra vender. Desde o Tropicalismo
que ele faz música considerando que música
é mercado de massa mas nem por isso faz música
só pra mercado de massa ou pra vender. Ele gravou
uma música ao vivo do Peninha (Sozinho), como já
gravou outras do Peninha em outras ocasiões, e se
tornou uma coisa que vendeu um milhão de cópias,
etc, e nem por isso, nem aquele disco ao vivo em que sai
essa música nem os seguintes, significam que o Caetano
resolveu fazer música para um milhão. Aliás,
o Caetano não vende muito comparado com os grandes
vendedores de música. Ele continua sendo,
a meu ver, um dos mais importantes artistas do Brasil,
que “mantém teso o arco da promessa”,
pra usar um verso dele, entre a música de quantidade
e a música de qualidade, que é uma coisa tão
importante no Brasil. Porque quando isso se romper completamente,
que você tiver só massas por um lado e só
intelectuais ilhados por outro, realmente aí desfez-se
qualquer possibilidade de você acreditar em qualquer
coisa no Brasil. Portanto, o Brasil é o país
que conseguiu criar uma cultura popular de altíssima
qualidade, em que grande parte da melhor poesia
feita no Brasil nas últimas décadas é
também pela música popular. Tornou-se
uma poesia de alta qualidade... que a gente consiga sustentar
isso, que grande parte disso faça parte da memória
coletiva, de públicos grandes, que, portanto, se
juntem essas pontas, é um segredo do Brasil, é
uma riqueza do Brasil, que não pode ser jogada fora.
E o Caetano Veloso é uma das pessoas raras que mantém,
que faz esse papel: juntar essas pontas.
AML- Você
concorda que um grande iniciador da promoção
desse papel teria sido Vinícius de Moraes ?
JMW- Com
certeza. Vinícius de Moraes, a Bossa Nova, Tom Jobim,
João Gilberto... “Chega de Saudade”
é uma das canções mais refinadas que
existem no repertório mundial. É
uma música que grande parte da população
brasileira sabe de cor. A Bossa Nova criou essa possibilidade,
e a partir dela toda uma geração de músicos
que viram essa possibilidade de fazer uma coisa... Vinícius
de Moraes era um poeta do livro, desde a década de
30. Na década de 50/60 ele migrou
pra canção popular e formou toda uma geração
de compositores e letristas que liam ou lêem Drummond,
João Cabral, Oswald de Andrade, Mário de Andrade,
Clarice Lispector e Guimarães Rosa e que, ao mesmo
tempo, fazem música popular... às vezes fazem
poesia de livro e fazem poesia de canção,
como Paulo Leminsky, o próprio Arnaldo Antunes, Cacaso,
Jorge Mautner...
AML- Embora
Vinícius tenha sido muito criticado por ter largado
a poesia de livro, digamos assim, e tenha ido pra música,
né ?!
JMW – É,
criticado por uma perspectiva... só se for de defesa
da Cultura Alta contra a idéia de que a cultura de
massa é necessariamente vulgar e tal. Mas ele fez
isso pra criar grandes poemas de letras de canções
junto com um grande compositor, respeitado no mundo inteiro
como um dos maiores compositores de canções
do século, que é Tom Jobim. Então essas
coisas são coisas valiosíssimas. A
música brasileira é de fato uma experiência
de humanidade valiosíssima e inestimável que
aconteceu no Brasil e que é uma lição
pro mundo, a MPB. E isso vem sendo descoberto porque
a Bossa Nova impressionou
imediatamente mas, por exemplo, o Tropicalismo,
foi redescoberto 30 anos depois em lugares do mundo que
descobriram que aquilo é uma coisa que repensava
o panorama da música pop com questões e complexidades
e densidades inequívocas. Então, essas coisas
fazem parte do Brasil e da música brasileira e acho
que continuam a se manifestar de uma maneira menos reconhecida
que há décadas atrás porque, como eu
tava dizendo antes, hoje tudo é mais espalhado, e
como é muito mais espalhado é muito mais indefinido.
AML- Com
essa visão que você tem, incomoda quando você
escuta dizer que a Bossa Nova foi uma bobagem, ou foi um
tipo de música copiado de uma música americana
para embalar uma época onde não se podia falar
de política ?
JMW- A
Bossa Nova influenciou a música americana, influenciou
a música inglesa e é parâmetro pra música
mundial. É absolutamente. Qualquer
pessoa no mundo reconhece a originalidade da Bossa Nova,
a singularidade da Bossa Nova e a Bossa Nova foi
influente na música do mundo. As canções
de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, ou Tom Jobim e
Newton Mendonça, são canções
como as de Cole Porter e Gershwin; além disso, a
Bossa Nova influenciou a música mundial ou o jazz
americano, ou o rock inglês, então
acho uma bobagem dizer que ela é uma imitação
da música americana. Ela é uma criação
brasileira dialogando com a música do mundo e influente
como poucas vezes no Brasil algo foi influente no mundo.
AML- Como
foi produzir um CD de Elza Soares, sendo a Elza uma das
maiores cantoras do mundo ?
JMW- Isso
pra mim é uma das maiores alegrias que eu tive na
minha história de trabalho com música. Foi
produzir... Dirigimos artisticamente o disco de Elza, que
é uma cantora absolutamente genial: na voz, na pluralidade
da voz dela, a capacidade de divisão, o suingue,
a improvisação, a profundidade emocional,
a inteligência do canto, a performance no palco...
eu quero saber quem que reúne esse tipo de qualidade
e tudo mais... e às vezes era vista como uma cantora
ou bizarra, ou do Museu do Samba, ou como uma cantora com
uma voz meio diferente e meio excêntrica, e eu com
o Aleh Siqueira, que produziu o disco comigo, a gente considerava
que tinha que fazer um disco em que a Elza Soares pudesse
mostrar a grandeza dela, todas essas capacidades e tal,
e a gente teve um repertório de fato muito forte,
com músicas inéditas do Chico Buarque, do
Jorge Ben, do Carlinhos Brown, do Arnaldo Antunes, do Caetano
Veloso, recriações que ela fez do Luís
Melodia, de sambas, que ela improvisou com o Marcos Suzano
– ela, voz e pandeiro -, e essas coisas todas fizeram
um disco muito forte ( o CD de Elza Soares chama-se “Do
Cócixx até o Pescoço”).
AML- Você
também é escritor... Eu queria que você
falasse um pouquinho sobre isso...
JMW- É,
eu tenho escrito às vezes sobre música, sobre
cultura... Eu tenho um livro chamado “O Som e o Sentido”,
sobre a linguagem musical, e outro sobre a música
na Semana de Arte Moderna. Mas eu escrevi um livro de ensaios
sobre temas de cultura brasileira na Música, na Literatura
e no Futebol. É preciso ter uma visão crítica
do país. Machado de Assis é cada vez mais
reconhecido internacionalmente. É um escritor profundamente
brasileiro, sem paisagem brasileira, e de altíssimo
nível. Guimarães Rosa escreveu um dos cinco
melhores livros do mundo: Grande Sertão, Veredas.
Guimarães é um segredo de luxo que nós
não guardamos conosco...
AML –
Por falar nisso, qual seria sua visão de Brasil hoje
?
JMW - Tenho
uma visão afirmativa mas não apologética
do Brasil. Moderno
é o que está passando, é o que é
efêmero, o que é transitório. A efemeridade
é a base de tudo o que se chama moderno hoje. O arcaico
e o moderno são profundamente integrados no Brasil.
O Brasil foi formado a partir da mestiçagem que é
de certa forma uma elaboração da violência.
Esse é um carma brasileiro que está presente
na literatura de Guimarães Rosa.
AML - Em sua opinião,
qual é a influência da canção
na música instrumental?
JMW - O meu universo é tanto da
canção, que eu não sei como ela bate
lá nas pessoas com cabeça ligada ao mundo
instrumental. Agora, sempre há a questão de
a música brasileira ter uma vocação
grande para a canção. O jazz tem canção
de música instrumental e ela ganha este caráter.
A improvisação no canto e até para
você tocar as canções, de forma instrumental.
No jazz, esse processo é mais natural, mas na canção
brasileira esse processo já não é tão
natural: pegar um tema de bossa nova e fazer uma improvisação
jazzística. Tem algo que não é muito
adequado para isso. No Brasil o caminho de ida e vinda da
música instrumental é menos claro do que nos
Estados Unidos, onde a vocação cancional já
é instrumental. Aqui, tem todas aquelas diferenças
ligadas à importância da letra, que seja dita
com a naturalidade de quem fala. Por tudo isso, não
saberia responder. Quando alguém responder essa pergunta,
me mande por e-mail, por favor.
AML - Como
a sua carreira acadêmica influencia na de músico?
JMW - Muitas
vezes, fiz trabalhos de música para teatro, cinema
e dança, além de canção. Esses
trabalhos têm uma relação forte com
a literatura. Fiz, por exemplo, música para teatro
com José Celso Martinez Corrêa para As Boas,
de Jean Genet, ou seja, eu estava fazendo música
para um texto teatral. Fiz música para Hamlet, para
Mistérios Gozosos, de Oswald de Andrade. Tudo aquilo
exigia não só um músico para fazer
a trilha, mas alguém que dialogasse com textos literários
no teatro. Quando criei Nazareth, uma das trilhas que fiz
para o Grupo Corpo, usei como base o conto “Um Homem
Célebre”, onde um compositor de polcas queria
fazer música clássica, de Machado de Assis.
Depois, inclusive, eu escrevi um ensaio longo sobre esse
conto, chamado “Machado, Maxixe”, que está
no livro “Sem Receita”. Nazareth já era
um ensaio sobre o conto, mas em forma de música.
Quando fiz Parabelo com Tom Zé, eu reli o livro Os
Sertões. Então, acho a canção
uma forma de poesia cantada, ou seja, ao fazer a letra você
lida com alguma coisa que se leu nos poetas, além
de ouvir outros cancionistas. Para mim, existe uma ligação
forte da literatura com a atividade musical.
AML - Como você
começou a compor?
JMW - Eu
estudei piano com a intenção de ser concertista.
Fiz conservatório na minha cidade, São Vicente,
por nove anos. Depois, estudei mais quatro com o Souza Lima.
Nesta altura, eu estava entrando no curso de letras, pois
tinha interesse por literatura, mas não sabia como
iria conciliar estes interesses. Nesse período, fiquei
em crise com as possibilidades que a universidade abriu.
A faculdade de filosofia, na Rua Maria Antônia, onde
estudei, em 67 e 68, era cercada de teatros e shows. Quer
dizer, a canção popular estava acontecendo
e eu vivi um conflito com o universo da música erudita
e as coisas contemporâneas do século XX. Isso
me atraiu muito. A canção popular brasileira
naquele momento como ela dialogava com o cinema, com as
artes plásticas e com a própria literatura
que era uma canção que tinha um interesse
poético. No momento em que entrei em crise com o
estudo diário do piano, comecei a me interessar pela
canção. Fui abandonando aquele estudo de piano
sem confessar que estava fazendo isso e, ao mesmo tempo,
comecei a compor. Passei a fazer música em vez de
estudar. O professor Souza Lima que não nos ouça
(risos), porque foi justamente isso que me afastou dele
e do universo da música erudita. A partir daí,
eu passei a fazer canções. Ainda em 1968,
participei de um festival universitário, em que mostrei
música. Mas em 1969, mudou muito porque depois do
AI-5 acabaram esses shows e festivais e a música
ficou muito mais profissionalizada com gravadora mesmo para
quem fazia carreira. Aquela mistura que havia com o ambiente
universitário com a canção se desfez.
Fiquei uns bons anos me tornando professor de literatura.
Eu fiz mestrado e doutorado, passei a escrever sobre música
em literatura, mas só fazia umas músicas para
mim mesmo até que uns 15 anos depois, vi não
poder abandonar a música. Pelo meu estudo de piano,
eu achava que só devia se dedicar à música
quem se dedicava integralmente. Quem só tinha um
tempo parcial para dar a ela, não a merecia. Era
assim que eu sentia. Depois, eu vi que não, que eu
deveria arriscar. Nesse processo voltei a fazer canções,
mas tocando com outros músicos e com cantoras. Passei
a fazer shows, a gravar discos etc.